segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Mariana/MG: uma ferida que levará dez anos para cicatrizar


A recuperação plena é difícil prever. (Foto: Hugo Cordeiro/Folhapress) 
A recuperação plena é difícil prever. (Foto: Hugo Cordeiro/Folhapress)
Como uma grande ferida aberta, a natureza em Mariana (MG) e na Região Serrana do Rio de Janeiro levará anos para cicatrizar e voltar a ser como antes. Assim como os moradores que vão demorar para superar a tragédia que devastou o distrito de Bento Rodrigues, os municípios de Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo, até hoje, quatro anos depois, ainda não se recuperaram das chuvas que devastaram a região, provocando a morte de mais de 900 pessoas.
Para o geógrafo do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Hugo Portocarrero, será necessário pelo menos uma década para a natureza se regenerar parcialmente. A recuperação plena é difícil prever, uma vez que o desastre ambiental, nas duas regiões, mudou o curso de rios, destruiu plantações e provocou mortandade de espécies. “Um desastre dessa proporção altera o relevo. Sozinha, a natureza levará muito tempo. Será preciso que o homem intervenha e faça o reflorestamento das áreas atingidas”, afirma.
O especialista espera que as duas tragédias sirvam de alerta. “Obras gigantescas como as que vêm sendo feitas implicam riscos da mesma magnitude. O especialista lembra que enquanto na Serra o acidente foi um fenômeno geológico, em Minas foi geotécnico.
Para o biólogo Leonardo Freitas, especialista em gestão de desastres, a reocupação das áreas dependerá do poder público e da empresa Samarco, que teve 300 milhões de reais bloqueados pela Justiça para pagamento de indenizações e foi multada em 250 milhões de reais por danos ambientais. “Nunca mais vai voltar a ser o que era. A tragédia foi muito grande. (…) A natureza não vai se recuperar 100%. Com o tempo, a correnteza vai levando os sedimentos e o homem vai voltar a ocupar o espaço. Mas parte desses detritos nunca será retirada.” (AD)