terça-feira, 8 de dezembro de 2015

MUITAS JOGADAS: Voto secreto faz comissão do impeachment virar uma guerra



Por Josias de Souza
Os membros da comissão especial que emitirá parecer sobre o pedido de impeachment formulado contra Dilma Rousseff serão eleitos pelo plenário da Câmara nesta terça-feira (8), em votação secreta. Unidos à oposição, dissidentes de partidos governistas, todos favoráveis ao afastamento da presidente, decidiram compor uma chapa alternativa para disputar com a oficial, composta de deputados escalados pelos líderes partidários, sob a supervisão do Palácio do Planalto.
O anonimato potencializa as chances de vitória dos rivais de Dilma, já que o voto sigiloso protege seus autores de eventuais retaliações do governo. O objetivo dos dissidentes é o de eleger pelo menos 33 dos 65 integrantes da comissão. Se isso acontecer, o bloco pró-impeachment será majoritário, podendo escolher na sequência o presidente do colegiado. Que terá poderes para indicar o relator do parecer sobre o impeachment.
Desafeto de Dilma, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, invoca o regimento interno da Casa para lançar mão do voto secreto. Está previsto no artigo 188, parágrafo terceiro. Anota que a votação secreta será usada para a eleição do presidente e demais membros da Mesa Diretora da Câmara e integrantes de comissões permanentes e temporárias da Casa.
Deve-se a formação da chapa paralela a uma reação dos dissidentes governistas à pretensão dos líderes partidários e do Planalto de excluí-los da comissão do impeachment. O motim nasceu no PMDB, cujo líder, Leonardo Picciani (RJ), entregou a si próprio e a outros deputados contrários ao impeachment todos os oito assentos da legenda na comissão especial. Irritados, os peemedebistas anti-Dilma se juntaram à oposição e indicaram para o chapão alternativo oito nomes favoráveis ao impeachment.
Informados sobre a sublevação peemedebista, descontentes de outras legendas governistas, todos de nariz torcido para Dilma, se juntaram à ‘Chapa do B’. Espera-se que a lista final contenha, além dos nomes de peemedebistas, candidatos de partidos como PP, PSD e PTB. A eleição dos membros da comissão, que deveria ter ocorrido na noite passada, foi adiada para esta terça-feira. Em vez da chapa única, haverá pelo menos duas. No lugar da ausência de disputa, uma guerra. Para desassossego de Dilma, uma guerra no escuro, sob o manto do voto secreto.
Para permitir a disputa, Eduardo Cunha adiou a votação para esta terça. Fez isso a despeito de ter anunciado na semana passada que o prazo final para a apresentação dos nomes dos integrantes da comissão expiraria às 18h desta segunda-feira. Estimulado pelo Planalto, o PT cogita recorrer ao STF contra o que chama de golpe parlamentar.