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Brasileiro vê mais prejuízo que benefício, mas torce por Rio-2016


Pesquisa Ibope revela preocupação com sucesso do evento e pessimismo com legado

Aerial view of the Olympic Park in Rio de Janeiro, Brazil, on July 26, 2016.
The Rio 2016 Olympic and Paralympic Games will be held in Brazil from August 5-21 and September 7-18 respectively. / AFP PHOTO / YASUYOSHI CHIBA
Yasyyoshi Chiba/AFP
Dados são de uma pesquisa do Ibope divulgada com exclusividade pelo jornal O Estado de S.Paulo
Por: Redação - Agência Estado 

Os brasileiros estão mais preocupados com o sucesso da organização da Olimpíada do Rio do que estavam com a Copa do Mundo de 2014, mas têm sentimentos mais negativos em relação ao evento deste ano e acham que os Jogos Olímpicos trarão mais prejuízos que benefícios ao Brasil. Os dados são de uma pesquisa do Ibope divulgada com exclusividade pelo Estado. Eles revelam com detalhes o ânimo do País às vésperas do início da competição olímpica.
Em 2014, antes da Copa começar, 51% dos brasileiros diziam que o mais importante era que o Brasil saísse campeão do torneio de futebol e apenas 24% colocavam a organização do evento no topo das prioridades. Já hoje, a pouco mais de uma semana do início da Olimpíada, esses dois lados se inverteram: 59% querem que os Jogos sejam um sucesso, enquanto só 31% acham que o Brasil estar bem colocado no quadro de medalhas é mais importante.
Toda essa preocupação, no entanto, não significa que a expectativa sobre o legado dos Jogos seja alta. Pelo contrário: enquanto 43% achavam em 2014 que a Copa do Mundo traria mais benefícios ao País e 40% mais prejuízos – um empate técnico dentro da margem de erro da pesquisa –, hoje apenas 32% acreditam que os Jogos Olímpicos serão mais benéficos que custosos, ante 60% que esperam mais prejuízos.
“As pessoas estão preocupadas com a imagem do País no exterior. Na Copa, se a organização não tivesse funcionado e o Brasil tivesse sido campeão, ninguém estaria nem aí. Mas na Olimpíada não é assim”, afirma Márcia Cavallari, CEO do Ibope Inteligência. Uma diferença crucial, segundo ela, é que os brasileiros levam mais a sério a disputa no torneio de futebol. “Na Olimpíada, o clima é mais de integração, união, confraternização, e a população acha mais importante que a organização do evento seja um sucesso”.
De acordo com Márcia, parte do pessimismo com o legado da Olimpíada pode ser atribuído ao fato de ela ocorrer majoritariamente no Rio. “A percepção de benefício para o País é bem menor do que na Copa, que envolveu várias cidades.”
Temperatura
O Ibope usou uma outra pergunta para medir o ânimo do brasileiro em relação aos eventos. É o chamado “termômetro”: uma escala que vai de “gelado” a “fervendo” é mostrada a cada entrevistado, que deve apontar qual é o seu nível de empolgação com as competições. Quanto mais quente, maior o interesse com o início das disputas.
Nessa escala, os brasileiros que dizem ter sentimentos “frios” em relação à Olimpíada são 48% – o mesmo número, dentro da margem de erro, dos que dizem ter sentimentos “quentes” (47%). Essas proporções, no entanto, eram bem diferentes quando foi organizada a Copa do Mundo. Uma semana antes do início das partidas do torneio de 2014, 58% dos entrevistados estavam “quentes”, e só 39% diziam estar “frios” em relação à competição.
Para Márcia, a tendência é de que o termômetro “esquente” no decorrer da competição, fenômeno que pôde ser observado em 2014. “Após o início da Copa, o lado quente passou para 74%”, afirma. A pesquisa ouviu 2002 pessoas em todo o País entre 14 e 18 de julho.