terça-feira, 8 de novembro de 2016

Propina do Maracanã seria maior que custo anual dos restaurantes populares


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O Maracanã em obras, antes da Copa do Mundo de 2014 – Foto Júlio César Guimarães/UOL
O pacote de perversidades anunciado pelo governo do Estado do Rio contém algumas medidas particularmente cruéis. Uma delas é a extinção do programa Restaurante Cidadão, denominação oficial do projeto de restaurantes populares. Se as prefeituras não assumirem os restaurantes espalhados pelo Estado, eles fecharão. Alguns já não abrem mais as portas.
Eis o que é, ou era, o programa, nas palavras da administração estadual: ”A Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH) é responsável pelo funcionamento de 16 Restaurantes Cidadão, que, juntos, fornecem diariamente 37.578 almoços e 14.064 cafés da manhã, de segunda a sexta-feira. O público beneficiário dos restaurantes é formado, em sua maioria, por trabalhadores formais e informais de baixa renda, desempregados, estudantes, aposentados, moradores de rua e famílias em situação de risco de insegurança alimentar e nutricional, cuja principal refeição do dia é realizada nestes estabelecimentos. Os restaurantes são, portanto, unidades de alimentação e nutrição destinadas à produção e comercialização de refeições saudáveis, preparadas sob rigoroso controle higiênico. O café da manhã fornece cerca de 400 calorias a R$ 0,50 e o almoço, aproximadamente, 1.000 calorias a R$ 2,00″.
Em suma, comida para quem precisa.
O fim do programa renderá aos cofres do Estado a economia de R$ 56,8 milhões anuais, conforme três fontes (aqui, aqui e aqui).
O decreto de ”revisão” do Restaurante Cidadão foi assinado há cinco dias pelo governador Luiz Fernando Pezão. O prazo para entregar os restaurantes às prefeituras é 30 de junho do ano que vem, mas eles podem ser extintos antes dessa data _como já acontece.
Mas nem tudo é falta de dinheiro.
Deixarão de ser investidos, como dito, R$ 56,8 milhões por ano com cidadãos mais pobres.
Sabe quanto teria sido embolsado em propina na reconstrução do Maracanã para a Copa de 2014?
R$ 60 milhões de recursos públicos!
É o que afirmaram antigos executivos da Odebrecht e da Andrade Gutierrez.
O obra custou R$ 1,2 bilhão.
De acordo com os altos funcionários das empreiteiras, 5% do orçamento foram desviados para pagar propina ao ex-governador Sérgio Cabral, antecessor e padrinho político de Pezão.
Cabral nega irregularidades, e, até onde se sabe, as investigações sobre o estádio prosseguem, no âmbito da operação Lava Jato, sem denúncia ou indiciamento.
Se os denunciantes da Andrade Gutierrez e da Odebrecht falam a verdade, a propina do Maracanã seria suficiente para bancar um ano de refeições nos restaurantes populares. Com direito a um troco gordo.
Assim caminha o Rio de Janeiro.
Blog Mario Magalhães – UOL