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“Oro para que você tenha boa saúde e tudo lhe corra bem, assim como vai bem a sua alma.” 3 João 2

“Saúde é o estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não somente a ausência de doenças ou invalidez.” O conceito formulado pela Organização Mundial da Saúde, OMS, em 1946, superou a antiga posição, um tanto sobrenatural e até mesmo utópica, que definia a saúde como somente ausência de enfermidade. Nesse caso, ausência de enfermidade foi substituída por bem-estar. Além de positivo, o novo conceito facilitou o surgimento de políticas de saúde pública mais úteis.
O bem-estar físico, mental e social da OMS refere-se tão somente à saúde humana, que resulta de fatores amplamente interligados. Isso pode ser exemplificado pela rede de conexões cerebrais. Isoladas, as células neuronais não são assim tão “inteligentes” nem muito “competentes”, como disse o psiquiatra francês David Servan-Schreiber. Mas, assim que interagem dão origem às faculdades mentais mais brilhantes, como a percepção, a inteligência, a criatividade e a memória.
O corpo inteiro, afirma Schreiber, funciona segundo esse modelo de rede: o fígado interage a todo instante com os rins, que interagem com a tensão arterial, com a qualidade do sangue, a produção de urina, os coquetéis de hormônios etc.
No livro Podemos dizer adeus mais de uma vez, Fontanar, 2011, cuja leitura é quase obrigatória para todos os vivos, o médico, falecido aos 50 anos de idade em julho de 2011, descreveu seus últimos momentos de vida enquanto lutava contra o câncer que o vitimou, e fez a lúcida declaração: “O que mais é a saúde, senão a resultante do funcionamento harmonioso e equilibrado de todos os sistemas que constituem o organismo? Quando esse funcionamento é perturbado, não adianta nada ficar teimando com o órgão que parece estar fraquejando: fígado, sangue, coração, etc. É preciso procurar restabelecer o equilíbrio do conjunto.”
Quando João, o apóstolo de Jesus que ficou conhecido como o discípulo do amor, escreveu uma carta a Gaio, seu companheiro cristão, usou uma saudação comum da época: “Meu querido amigo, tenho pedido a Deus que você vá bem em tudo e que esteja com boa saúde, assim como está bem espiritualmente” (3 João 2).
Assim como o apóstolo João há muito tempo e a OMS mais recentemente, precisamos desenvolver a importante percepção da saúde humana como resultante de fatores que se interligam, ou seja, que funcionam em rede, e fazer o que pudermos para colaborar com a natureza. Não devemos pensar que nossas ações resolverão todos os nossos problemas relacionados com isso nem em saúde plena porque, como disse Michael Lerner, fundador da chamada ecomedicina, “não se pode viver com saúde num planeta doente”.
Francisco Lemos é Jornalista