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A delação da JBS nas mãos do Supremo

Era o esperado. Conforme as investigações da Lava Jato avançam e mais grupos políticos são atingidos, maiores os ataques contra seus instrumentos e seus métodos. Nesta quarta-feira (21), voltou ao plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) uma discussão que já havia sido pacificada em agosto de 2015 sobre quem tem a prerrogativa de homologar uma delação premiada. Há dois anos, por unanimidade, decidiu-se que o relator do caso em questão na Suprema Corte teria essa autoridade. Mas dois anos atrás não havia Odebrecht, não havia JBS.
As duas delações, devastadoras para poderosos de todos os matizes políticos, mobilizaram as forças anti-Lava-Jato. Colocaram do mesmo lado petistas, peemedebistas, tucanos – todos acuados pelas acusações dos delatores. O governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, do PSDB, tomou a frente. Foi ao Supremo questionar a validade da delação da JBS, questionando inicialmente se o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato na Corte, tem a competência de homologar o acordo.
O argumento é de que JBS não tem nada a ver com Petrobras e, portanto, o caso deveria ter sido distribuído por sorteio, e não ter ido automaticamente ao gabinete de Fachin. Na prática, se essa ideia for aceita, isso poderia acarretar até a anulação do acordo da JBS. Consequentemente, de outros acordos já celebrados. É isso que a Procuradoria-Geral da República, parte dos ministros e os advogados da JBS querem evitar.