sábado, 28 de abril de 2018

Especialistas defendem políticas públicas para prevenir a hipertensão

Era sentar na cadeira do consultório médico e estender o braço que o roteirista Rafael Crema já sabia. A pressão iria subir. O que ele não sabia era que sofria de algo que já foi até estudado cientificamente: a “síndrome do jaleco branco”. Que é, como explica a enfermeira Grazia Guerra, uma reação involuntária de alerta, comum na hora de medir a hipertensão arterial.
Por isso, segundo os especialistas, uma das melhores formas de descobrir se a pessoa tem hipertensão é indicar que ela faça a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (Mapa). Ela é realizada por meio da colocação de um equipamento que fica com o paciente por 24 horas. Mas, segundo o diretor científico da Sociedade Brasileira de Hipertensão, Luiz Bortolotto, a Mapa não é um exame assim tão frequente. “Na Inglaterra, por exemplo, a recomendação é fazer Mapa em todo mundo. Mas aí tem de ver questão do custo. Se você fizer uma medida certa, bem equilibrada, ela é quase equivalente à Mapa.”
O importante mesmo, diz o presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, José Francisco Kerr Saraiva, é levar as pessoas para os postos e as clínicas para que elas meçam a pressão. “Quem são os frequentadores das unidades básicas de saúde? Mulher grávida, criança e idoso. A população trabalhadora não vai no posto. Uma das políticas hoje de municípios que se preocupam com o assunto é abrir postos aos sábados e à noite, para que o trabalhador vá.”
Ele considera que são necessárias, ainda, políticas públicas de prevenção à hipertensão, com estímulo ao exercício físico e ao baixo consumo de sal. “Hoje, a gente deixa de gastar na prevenção, e vai gastar para tratar um AVC, para tratar um infarto.”
Fonte: Banda News FM