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Com Bolsonaro, governo tem menor base de apoio no Congresso desde Collor

Governistas são 22% na Câmara e só 7% no Senado; Planalto busca votos para aprovar reformas, sobretudo a da Previdência

Ernesto Rodrigues / Estadão
Cerimônia de posse da nova composição da Câmara dos Deputados em 1º de fevereiro de 2019
O Congresso que tomou posse na sexta, 1, reúne o menor número de parlamentares declaradamente governistas da redemocratização para cá. Na Câmara, a base oficial de Jair Bolsonaro representa 22% das cadeiras, enquanto no Senado não passa de 7% – levando-se em conta as coligações oficiais e os apoios já anunciados.
Somados às características pluripartidárias do atual Legislativo, os índices revelam ao menos uma dificuldade matemática para o governo em temas essenciais para o seu sucesso, como a reforma da Previdência. Para aprová-la, Bolsonaro terá de ampliar esse patamar em duas vezes e, segundo avaliação geral, mudar a estratégia de não negociar com partidos.
O alerta foi dado na sexta-feira pelo deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) logo após sua reeleição para mais um mandato à frente da Câmara. Ele criticou a articulação política do governo e, se referindo à reforma da Previdência, disse que “no curto prazo” não há votos suficientes para aprová-la em função da “nova forma de Bolsonaro trabalhar.”
Eleito para a 1ª Vice-Presidência da Casa, Marcos Pereira também cobrou do governo mais abertura. “Precisamos dialogar para que haja avanço. O governo tem de melhorar o diálogo com o Congresso e os ministros têm que receber os parlamentares”, afirmou no sábado o presidente nacional do PRB ao Estadão/Broadcast.
Mexer na idade mínima exigida para a aposentadoria no País, entre outras alterações projetadas, exigirá do governo uma articulação política capaz de reunir os 308 votos na Câmara e outros 49 no Senado em duas votações cada. Hoje, levando-se em conta sua base oficial, Bolsonaro tem 112 e oito, respectivamente. O índice de apoio é menor até que o obtido por Fernando Collor.
Fonte: Estadão